Passados os seis primeiros meses do bebê, é chegada a hora de investir em um grande marco do desenvolvimento: a introdução dos alimentos sólidos. Aliado ao aleitamento materno, esse é um momento bastante especial para garantir a nutrição e o crescimento adequados do seu pequeno com muita saúde. E para te ajudar a acertar nessa etapa tão fundamental, a pediatra Marina H. Chicareli Carrari dá todas as dicas. 

Antes de tudo, é preciso saber que a recomendação da Organização Mundial da Saúde é que o aleitamento materno aconteça de maneira exclusiva até o sexto mês de vida, quando podemos começar a introdução de uma gama maior de alimentos. “Nessa etapa, ainda devemos continuar com a oferta de leite materno em livre demanda, e os alimentos em uma ou duas refeições por dia. Nem todos os bebês vão começar exatamente no sexto mês, já que é preciso que ele já consiga sentar apoiado e não ter o reflexo de colocar a língua para fora”, explica. 

Por onde começar?

De maneira geral, a introdução dos alimentos vai acontecendo de maneira gradual, sempre respeitando a aceitação do seu pequeno. “Nós podemos começar por qualquer grupo de alimentos, mas é mais comum darmos início pelas frutas, já que os bebês já estão mais acostumados ao paladar adocicado por conta da ingestão do leite materno. Mas isso muda de criança para criança, e algumas vão preferir os alimentos salgados”, aponta. 

Os tipos de introdução alimentar

Atualmente é possível investir em diferentes abordagens de introdução alimentar, escolhendo aquela que funcione melhor para você e, principalmente, para o seu bebê. “Nós deixamos um pouco de lado as antigas papinhas pastosas, porque elas não permitem que a criança interaja com a comida e nem saiba o que está ingerindo, dois pontos que são muito importantes para o desenvolvimento. O que mais recomendamos atualmente é utilizar o BLW ou o pê-efinho, sempre com os alimentos bem picados, cozidos e sem o uso de sal”, conta. 

Foto: Onjira Leibe/Shutterstock

BLW

O Baby-led Weaning, ou “desmame guiado pelo bebê”, em tradução livre, consiste em oferecer diversos alimentos cortadinhos em pequenos pedaços e deixar que a criança decida, de acordo com sua curiosidade e apetite, o que levar à boca utilizando as próprias mãos. É possível ofertar tanto frutas, quanto legumes e carnes, sempre cozidos com água e sem sal. “Muitos pais acabam não optando pelo método porque ele faz um pouco mais de sujeira, mas é totalmente seguro e bem interessante. Não é preciso ter medo de engasgar: os bebês possuem um reflexo chamado de GAG, que protege as vias aéreas e impede sufocamento”, esclarece a especialista. 

Foto: Oksana Kuzmina/Shutterstock

Pê-efinho 

Como o nome sugere, o método consiste em oferecer os mesmos alimentos consumidos pelos pais, mas amassadinhos ou em pedacinhos pequenos – fáceis de engolir – para que toda a família crie o hábito de se alimentar junta. “Para compor o prato nós vamos usar a regrinha de ter uma verdura, uma proteína e duas leguminosas, sempre deixando pedacinhos para que a criança sinta as texturas daquilo que está comendo. Quando fazemos o feijão e a carne, por exemplo, temos que ter os alimentos e não apenas o caldo, porque é nos grãos e nas fibras que estão os nutrientes”, conta. 

Foto: Onjira Leibe/Shutterstock

E a quantidade?

É muito comum que os pais fiquem preocupados com a quantidade de alimentos ingeridas pelo bebê, no entanto, isso não deve ser o foco no início da introdução alimentar. “Como o leite materno ainda virá em livre demanda, o melhor é respeitar a quantidade que a criança deseja comer. Vamos ter refeições em que eles vão comer pouquinho, e outras em que vão querer muito mais. Respeite isso, e complete a alimentação com as mamadas sempre que ela quiser”, recomenda. 

Outro equívoco comum dos pais nessa fase é desistir de ofertar aqueles alimentos que o bebê não pega ou acaba chorando para comer. “O paladar ainda está sendo formado e ele muda de maneira muito rápida, então vale continuar ofertando em outras refeições e até preparado de outra maneira que possa chamar mais atenção”, pontua. 

A hidratação

Outra novidade na alimentação dos bebês a partir dos seis meses é a introdução da água, que também deve acontecer de maneira gradual e sem obrigatoriedades: “Nós vamos manter o aleitamento em livre demanda e ofertar a água ao longo do dia e ver se a criança aceita, porque ela demora a aceitar e acostumar com o paladar. Ao contrário do que muita gente acredita, os sucos não devem ser dados antes de um ano, porque eles contém poucas calorias, muito volume e açúcares que podem acabar prejudicando a nutrição”.