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Que tal brindar o Natal com uma boa cerveja? Apesar de muita gente recorrer ao vinho e aos espumantes, a bebida mais apreciada no país traz uma série de possibilidades que harmonizam perfeitamente com o cardápio da ceia e criam uma degustação única, com sabores ricos e equilibrados. O sommelier Rafael Borges, sócio-fundador do Bebelier, revela as melhores opções para acompanhar aqueles alimentos que não podem faltar na mesa durante as festas. 

“A ceia de Natal costuma ser de excessos e sabores marcantes, então, em linhas gerais, podemos dizer que as cervejas com certa acidez e um corpo mais leve são as melhores escolhas para acompanhar o jantar do início ao fim”, explica. 


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Entradas clássicas: nozes, castanhas e damasco

As oleaginosas e as frutas secas são as entradas mais tradicionais nessa época do ano, e casam muito bem com a cerveja. “Para esse tipo de entrada podemos ir para a Witbier, a cerveja de trigo, que tem mais complexidade e nuances de sabores. Como apresenta um pouco de acidez e sabor levemente condimentado, ela contrasta bem com a gordura desses ingredientes e a textura na boca fica bastante agradável”, indica. 


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Peru e tender, as estrelas da ceia

Como toda ave, o peru tem partes mais leves e consideradas brancas, como o peito, e as consideradas vermelhas, como a coxa. “Isso pode ser levado em consideração, mas no geral podemos nos guiar pelo tempero. Se optar por algo básico, como o sal e a pimenta, sem uma marinada muito proeminente, é legal termos cervejas que se utilizam de métodos champenoise, ou seja, um meio termo entre a cerveja e o espumante, mais carbonatadas (como a Bière Brut). Uma opção muito legal é a Whine Drop, fermentada na garrafa e com base de mosto de vinho que geram uma cerveja delicada, que limpa o palato e seca a boca, te convidando a comer mais um pedaço da carne”, indica. Outra boa escolha, de acordo com o especialista, é o estilo Saison, uma cerveja que também traz essas características  de sabor, com certa complexidade e um corpo que combina muito bem com as aves. 

Vai preparar uma marinada mais potente e condimentada? “Nesse caso, as Trippel são ótimas escolhas, porque combinam com sabores apimentados e condimentos diversos pelo seu sabor de laranja e mel que dá uma complementaridade muito bacana”, completa. 

Já o tender, tradicionalmente preparado com mel, laranja e cravos, pode ser acompanhado por sabores mais ácidos. “Pratos que trazem o agridoce e a gordura vão funcionar com cervejas mais ácidas, que cortam o excesso e trazem um pouco de alívio ao palato, além da refrescância. O estilo Berliner Weisse, que tem um frutado secundário mais presente no aroma do que no sabor, complementa o conjunto e vai funcionar para a ceia como um todo”, esclarece. 


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Até na sobremesa

E quem disse que cerveja não funciona bem com sobremesa? Para opções tradicionais das festas – como chocolate e frutas secas – você pode apostar na sensação do café combinada ao sabor delicioso da bebida: “Eu particularmente gosto muito das Dry Stouts com um perfil de sabor que puxa mais para o café do que para o chocolate. Elas vão funcionar com esses dois tipos de ingredientes, já que já é um costume nosso terminar as refeições com um cafezinho”. 

Temperatura de serviço

E, claro, se a ideia é perceber bem todos os aromas e sabores, a temperatura de serviço é algo para ficar atento: “As temperaturas de serviço de cervejas artesanais constam no rótulo, mas, de maneira geral, opções leves pedem cerca de 5°C e as um pouco mais potentes cerca de 6°C. Se você gosta de bebidas bem geladas – apesar disso prejudicar a percepção do sabor e do aroma – não tem problema, porque o que realmente importa é que você aprecie a experiência. Minha sugestão é servir pelo menos uma na temperatura certa, e se não se acostumar ou não gostar, aí gelar mais”.