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Você já deve ter notado que existe uma grande variedade de taças de vinho – e, muito além da estética, elas foram pensadas especialmente para que você aprimore a degustação e deixe a experiência com cada rótulo ainda mais prazerosa. O sommelier internacional Rodrigo Bertin, criador do projeto Vinho Mais, te conta quando usar os principais tipos e quais não podem faltar em casa.

“Cada vinho tem uma peculiaridade de aromas e de temperatura correta de serviço, e os formatos das taças mudam para atender essas características. As principais diferenças estão no tamanho do bojo, da boca e da haste, que vão influenciar diretamente na maneira como você percebe aquela bebida. É um detalhe importante e que realmente faz a diferença”, esclarece. 

Os materiais

Antes de falar sobre os formatos, é importante ter em mente que o material das suas taças também é decisivo para sentir melhor os sabores e aromas. O cristal é o material mais indicado para a degustação. Por ser mais poroso que o vidro, ele permite que as partículas grudem nesses poros e que o vinho solte mais os seus aromas, além de proporcionar uma experiência de contato mais prazerosa na boca. As de titânio são exatamente a mesma coisa: elas são de cristal, mas trazem o metal na sua composição para aumentar a durabilidade e reduzir os riscos de quebra, sem interferir na maneira como você percebe a bebida”, conta.

As taças principais


Foto: Lena Vetka/Shutterstock

Borgonha: com um formato que lembra um balão, ela tem um bojo largo e um afunilamento que volta a abrir apenas ao final da borda, aumentando o contato do vinho com o ar e liberando o buquê rapidamente. Isso facilita a percepção de aromas complexos, sutis ou muito delicados, como os encontrados nas uvas Pinot Noir.  

Bordeaux: com bojo grande e borda estreita (embora não tanto quanto a Borgonha), ela é a pedida certa para vinhos encorpados, como Cabernet Sauvignon, Tannat, Syrah e Merlot. O formato ajuda a manter os aromas concentrados e evita que eles se dispersem.

ISO: considerada a taça “curinga”, ela é feita com um padrão internacional para degustações técnicas e pode ser utilizada para todos os tipos de vinho.

Branco: com um bojo menor, o que reduz o espaço de troca de calor da bebida com o ambiente, e uma haste mais longa, esse tipo de taça foi pensado especialmente para manter a temperatura do vinho baixa durante toda a degustação.

Vintage: com bojo baixo e muito largo, elas já foram a preferência na hora de consumir espumantes pela sua elegância. No entanto, por não ajudar na conservação do perlage (fazendo com que as borbulhas se percam rapidamente), ela acabou ficando para trás e hoje só é utilizada para fotos e brindes muito rápidos.

Flute: longa e com bojo fino, a taça mantém o perlage do espumante até o último gole, além de projetar a bebida para a parte final da língua, promovendo a limpeza do paladar.

Já viu outras especificações e variações de formato? De fato, já é possível ir muito mais além. “Hoje em dia temos a Riedel, uma linha de taças que estuda todas as peculiaridades das uvas e tem desenhos criados especificamente para cada uma delas. É uma experiência realmente muito interessante, mas com um custo muito elevado para o uso cotidiano”, explica. 

Para quem está montando um jogo – mas não vê a necessidade de ter todas – a dica do especialista é adquirir os modelos mais versáteis, que vão permitir uma boa degustação para a maior parte dos rótulos: “Eu sempre aconselho ter pelo menos a flute, para espumante, uma taça de vinho branco e uma bem bojuda para os tintos, para que você perceba bem os aromas independente do tipo de uva”.

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